A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros provocou uma reação rápida e politicamente carregada entre nomes cotados para 2026. No plano doméstico, a medida virou arma de acusação e defesa: aliados do bolsonarismo responsabilizaram o governo Lula pela deterioração das relações com Washington, enquanto pré-candidatos externos criticaram tanto o Palácio do Planalto quanto a postura de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades americanas.
O governo federal reagiu com nota classificando a tarifa como injustificável e ressaltou um superávit comercial dos EUA em relação ao Brasil de US$ 424,5 bilhões nos últimos 15 anos. Em Brasília, a comunicação oficial também apontou que houve contatos com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA e chegou a afirmar que alguns integrantes da família Bolsonaro colaboraram com as investigações americanas por motivações eleitorais — uma acusação que amplia a dimensão política do episódio.
Nas redes, Flávio Bolsonaro atribuiu a responsabilidade ao presidente Lula e citou declarações de Marco Rubio para sustentar seu argumento. Outros nomes, como Romeu Zema, reclamaram do que chamaram de atritos desnecessários e de um tom eleitoral que fragiliza negociações técnicas; Ronaldo Caiado optou por criticar ambos os polos, argumentando que interesses eleitorais vêm sendo colocados acima da defesa dos trabalhadores e produtores brasileiros. O empresário ligado ao MBL Renan Santos também atacou simultaneamente o governo e a família Bolsonaro, defendendo uma negociação que abarque temas estratégicos, como a exploração de terras raras.
No Congresso, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado pediu cautela: recomendou que qualquer resposta do Brasil seja pautada por critérios técnicos e avalie impactos econômicos e a possibilidade de novas rodadas de diálogo. Politicamente, o episódio amplia o desgaste do governo em um momento sensível, complica a narrativa oficial e cria espaço para a oposição explorar falhas de gestão e estratégia na política externa — com consequências concretas para exportadores e para a economia, que já enfrenta incertezas.