O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu com veemência ao anúncio de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e defendeu a aplicação imediata da Lei de Reciprocidade Econômica. Nas redes, Motta classificou as medidas como “unilaterais e protecionistas” e afirmou que o Parlamento deve usar instrumentos legais para proteger empregos e setores estratégicos.

A legislação em questão autoriza o Brasil a suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas à propriedade intelectual quando atos de outro país comprometerem a competitividade brasileira. No Senado, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, presidida por Nelsinho Trad (PSD-MS), já anunciou pedido de informações à Camex para avaliar a implementação da norma e se há necessidade de aperfeiçoamento.

Chamou atenção, porém, o silêncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Diferente da reação firme do ano passado, quando o Congresso emitiu nota conjunta e a Lei da Reciprocidade foi celebrada como instrumento de defesa, Alcolumbre desta vez não se manifestou — gesto que ocorre em meio ao desgaste com o Planalto após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, episódio que afetou a tramitação de prioridades do Executivo.

O episódio acende alerta sobre capacidade de resposta do país: há disposição no Parlamento para reagir, mas a ausência de articulação clara entre as lideranças pode limitar a rapidez e a coordenação de medidas. No plano econômico, setores exportadores e cadeias produtivas reclamam previsibilidade; politicamente, a questão amplia desgaste e complica a narrativa oficial, pressionando o governo a alinhar diplomacia e políticas de compensação.