A decisão da Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com prazo final em 15/7, é vista como crucial para as exportações brasileiras. A investigação baseada na Seção 301 pode manter uma sobretaxa de 25% sobre parte da pauta. Se considerada a segunda apuração, relativa ao combate ao trabalho forçado, a carga sobre alguns produtos pode alcançar 37,5%. O governo americano também deverá publicar a lista de exceções, e audiências públicas recentes aumentaram a expectativa de que novos setores sejam poupados.

Empresas e governos dos dois lados acompanham o desfecho diante do risco de perda de competitividade. Setores como metalurgia, calçados e máquinas aparecem entre os mais vulneráveis; ao contrário disso, o café em grão e aeronaves foram citados como fora da lista de medidas mais duras. Para firmas exportadoras, a sobretaxa significa encomendas menores, compressão de margens e efeitos negativos sobre investimentos e empregos em cadeias mais dependentes do mercado americano.

Economistas consultados pela cobertura avaliam que o impacto tende a ser concentrado em segmentos e regiões, em vez de provocar um choque amplo no PIB brasileiro. A tarifa, cobrada do importador, pode ser repassada ao consumidor americano ou levar compradores a buscar fornecedores alternativos; a intensidade do repasse depende da facilidade de substituição. No agregado, o peso do Brasil nas importações dos EUA torna improvável um impacto inflacionário generalizado, embora nichos estratégicos possam sentir aumento de preços.

Do ponto de vista político e econômico, a medida coloca pressão sobre empresas exportadoras e sobre Brasília para ampliar exceções, negociar salvaguardas ou acelerar diversificação de mercados. O anúncio do USTR fechará um ciclo de incerteza que já elevou custos de planejamento e expôs fragilidades em cadeias produtivas integradas entre os dois países.