O Plenário do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo aprovou, por unanimidade, a prestação de contas do governador Tarcísio de Freitas referente a 2025. A aprovação, porém, veio acompanhada de ressalvas sobre as demonstrações contábeis, a gestão previdenciária dos servidores e o elevado volume de renúncias de receita, tema repetido nos relatórios de 2023 e 2024.

No voto, o relator Marco Bertaiolli criticou a manutenção de informações sigilosas pela Secretaria da Fazenda em relação às renúncias fiscais e apontou deficiências na fiscalização de contratos de rodovias privatizadas. Ele cobrou ainda maior controle sobre serviços delegados ao setor privado, incluindo unidades hospitalares administradas por organizações sociais, sinalizando fragilidades no aparato regulatório do estado.

Tecnicamente, o aceno do TCE evita consequências punitivas imediatas para o Executivo, mas as ressalvas funcionam como diagnóstico de risco: opacidade nas renúncias pode mascarar perda de receitas, enquanto falhas na regulação elevam a probabilidade de déficits de qualidade e custo nos serviços concedidos. Para o governo, trata-se de um alerta para reforçar processos de transparência e fiscalização.

Politicamente, o parecer unânime reduz margem para contestação jurídica, mas amplia desgaste político e cria munição para adversários. A repetição das observações ao longo dos anos indica que o problema é estrutural, não episódico, e exige mudanças administrativas concretas se a equipe governista quiser preservar narrativa de eficiência e responsabilidade fiscal.