O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro rejeitou, por três votos a um, as contas do exercício de 2025 do governo do então governador Cláudio Castro. O voto do relator apontou “distorções generalizadas na apresentação dos valores” e identificou superavaliação de ativos, entre os quais R$ 1,13 bilhão registrados sem provisão para perdas ligados a aplicações no Banco Master. A decisão é um parecer prévio que agora será encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) para julgamento definitivo.

Além da constatação sobre o Banco Master, o relatório determina a realização de uma auditoria extraordinária sobre R$ 5,01 bilhões cujas classificações contábeis foram consideradas inadequadas pelo TCE-RJ. Os recursos estão vinculados a aplicações no Banco Master, no conglomerado sul-coreano Mirae Asset e no Banco Genial. O voto também chama atenção para falhas na contabilização do Rioprevidência, autarquia que vem sendo investigada pela Polícia Federal por operações que incluem essas mesmas aplicações.

A rejeição do parecer técnico tem efeito político imediato. Embora o ex-governador tenha divulgado nota afirmando que o parecer contraria manifestação anterior de técnicos do tribunal e do Ministério Público de Contas e reiterado que sua gestão agiu com transparência e observância de normas, o documento do TCE cria uma nova frente de desgaste. Alerj passa a ter papel central: o julgamento dos deputados não será apenas técnico, mas também político, com potencial de repercutir sobre a imagem do ex-chefe do Executivo e sobre aliados que participaram das decisões de gestão e controle.

No plano fiscal e institucional, a determinação de auditoria extraordinária e a identificação de superavaliação exigem ajustes contábeis e esclarecimentos sobre governança e procedimentos adotados pelo Rioprevidência. Além do risco de revisões patrimoniais, a exposição pública dessas incongruências pode dificultar sustentação política para projetos e acordos futuros, aumentar a pressão por responsabilidades administrativas e legais e exigir respostas concretas da Alerj e dos órgãos de controle para restabelecer confiança nas contas estaduais.