Durante a convenção do PT em Campinas que confirmou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo, a senadora e candidata ao Senado pelo PSB, Simone Tebet, fez um apelo explícito ao eleitorado feminino para apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e a candidatura de Haddad. A intervenção de Tebet, ex-ministra do Planejamento e Orçamento, sinaliza uma tentativa de ampliar a coalizão em torno do projeto petista e de mobilizar um segmento demográfico que os partidos vêm tratando como decisivo para 2026.

No discurso, Tebet atribuiu às mulheres um papel central na disputa e criticou movimentos que questionam a segurança das urnas eletrônicas, interpretando esses ataques como tentativa de minar a legitimidade eleitoral diante de uma possível derrota. Essa leitura acende alerta institucional: ao colocar em dúvida a confiabilidade do sistema de votação, adversários — segundo a candidata — estariam tentando criar ambiente propício a contestações, o que complica a narrativa pública sobre o processo democrático.

Além do tema eleitoral, Tebet direcionou críticas à gestão do estado de São Paulo, apontando deterioração na segurança pública, aumento de furtos e maior incidência de violência contra a mulher nas ruas. Ao denunciar concessões e políticas de segurança que, em sua avaliação, não trouxeram resultados, ela transforma a pauta da violência e da proteção feminina em peça central da campanha estadual, entregando munição política a Haddad e reforçando a agenda de prioridades para eleitoras preocupadas com segurança.

Politicamente, o gesto de Tebet reforça o esforço das forças alinhadas a Lula para consolidar apoio entre eleitores de centro e as mulheres eleitoras, ao mesmo tempo em que expõe o adversário a críticas diretas sobre gestão e segurança. Há, portanto, dois efeitos possíveis: mobilização de um eleitorado chave e aumento da pressão institucional sobre narrativas que questionam o processo eleitoral. Resta saber se a convocação conseguirá se traduzir em adesões sólidas nas urnas ou se ficará no terreno do simbolismo político.