O ex-presidente Michel Temer confirmou à CNN Brasil que participou em Brasília de uma reunião que contou com o então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o banqueiro Daniel Vorcaro. Temer afirmou ter atuado como advogado contratado para prestar "consultoria e mediação" e disse que o encontro ocorreu "bem antes da liquidação", sem precisar a data; segundo ele, Vorcaro compareceu somente depois do início da reunião.

A versão do ex-presidente entra em tensão com declarações anteriores de Ibaneis, que reconheceu encontros com Vorcaro em diferentes ocasiões — inclusive em residências —, mas negou tratar especificamente da negociação pelo BRB, alegando que todas as tratativas passaram por Paulo Henrique Costa. A imprensa também teve acesso a documentos do Imposto de Renda do Master encaminhados à CPI do Crime Organizado, que apontam pagamentos milionários a cerca de 100 escritórios: cerca de R$ 304,5 milhões no total, incluindo aproximadamente R$ 10 milhões ao escritório de Temer e R$ 40,1 milhões à banca da mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Ibaneis foi convidado e depois convocado pela CPI para prestar esclarecimentos, mas não compareceu; um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça do STF reconheceu ao ex-governador o direito de não produzir provas contra si mesmo. Para o relator da comissão, senador Alessandro Vieira, decisões do Supremo têm reduzido o alcance investigativo das CPIs, uma avaliação que coloca em xeque a capacidade do Congresso de aprofundar apurações em casos que envolvem atores políticos e instituições financeiras.

Politicamente, a confirmação de Temer reacende inquietações sobre a rede de relações entre agentes públicos, bancos e consultorias e complica a narrativa oficial sobre a operação do BRB. Além do impacto jurídico, o caso amplia a pressão sobre aliados e sobre o Judiciário para esclarecer omissões e dar respostas objetivas à sociedade, num momento em que transparência e confiança institucional estão em foco.