A promoção da plataforma TemMeuVoto no programa Domingão com Huck, exibido em 27 de setembro de 2026, levou o Ministério Público Federal a abrir investigação para apurar se houve violação das normas eleitorais. A representação da deputada Fernanda Melchionna e manifestações de usuários nas redes sociais motivaram a apuração, diante da suspeita de que a ferramenta poderia favorecer determinados candidatos — uma acusação que, até agora, não foi comprovada.

Criada em conjunto por 14 organizações, entre elas RenovaBR e Transparência Internacional Brasil, a plataforma propõe um questionário sobre oito temas para calcular alinhamento entre eleitor e candidaturas. Seus responsáveis negam favorecimento e dizem ter metodologia pública. Ainda assim, a divulgação em um programa de grande audiência reacende o debate sobre os limites entre informação, opinião e propaganda em horário comercial durante campanha.

A legislação fiscalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral exige isonomia: emissoras não podem oferecer tratamento privilegiado a candidatos ou partidos, nem veicular propaganda direta ou dissimulada. Também há vedação a conteúdos que difundam desinformação ou usem montagens para prejudicar adversários. A investigação do MPF e a solicitação ao TRE-SP, feita pelo vereador Nabil Bonduki, visam verificar se a menção à plataforma configurou desequilíbrio, mesmo na ausência de pedido explícito de votos.

A abertura do inquérito não implica culpa, mas acende alerta sobre o cuidado que veículos e apresentadores precisam ter ao incorporar ferramentas digitais no conteúdo editorial. Politicamente, o caso pode gerar custo reputacional para o apresentador e para a emissora, obrigando ajustes de roteiro e maior supervisão jurídica, além de reacender a discussão sobre como inovações tecnológicas se encaixam nas garantias de disputa igualitária. O desfecho dependerá da apuração técnica do MPF e das decisões dos tribunais eleitorais.