Trabalhadores temporários contratados para reforçar a área de comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não receberam a remuneração referente a setembro, cuja folha foi incluída na folha de outubro que deixou de ser paga no quinto dia útil. Fontes na Corte informam que o problema atinge todos os temporários nomeados para apoiar áreas estratégicas durante o processo eleitoral, e que já houve atrasos também no mês anterior.

O contrato estava sob responsabilidade da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), que, segundo o material consultado, enfrentou sucessivos atrasos e acabou desclassificada na última licitação — deixando de atender o Supremo Tribunal Federal (STF) em julho e sendo substituída por outra empresa. No caso do TSE, a administração afirma estar adotando providências para viabilizar o pagamento o quanto antes, respeitando os requisitos legais, e que está em fase final de formalização de uma contratação emergencial para garantir a continuidade dos serviços de comunicação e a assunção das obrigações trabalhistas pela nova prestadora.

O episódio tem efeito político e institucional imediato. A falta de pagamento em ano eleitoral compromete a capacidade operacional da comunicação do tribunal — área sensível para a transparência do processo — e amplia desgaste sobre a gestão contratual da Corte. Para além do impacto prático sobre os profissionais, a repetição de atrasos aumenta a exposição do TSE a críticas sobre governança, fiscalização de contratos e escolha de fornecedores, e tende a alimentar questionamentos de atores políticos e da sociedade sobre a eficiência administrativa do tribunal.

A solução anunciada pelo TSE — contratação emergencial e transferência de gestão à nova empresa — é necessária, mas não elimina o custo reputacional nem as respostas que precisam ser dadas sobre a supervisão dos contratos. A regularização imediata dos pagamentos é condição mínima para evitar contestações trabalhistas e garantir que a comunicação institucional, fundamental para o processo eleitoral, não sofra descontinuidade nos dias decisivos.