O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, que investiga fraude em contratos e superfaturamento de obras da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A ordem de prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o inquérito, há indícios de que até R$ 2,9 milhões teriam sido prometidos para financiar campanhas e compor caixa dois de pessoas ligadas ao grupo político do parlamentar.
A investigação descreve um salto abrupto nos repasses da pasta para reformas em escolas — de uma média anual de R$ 60 milhões até 2018 para R$ 630 milhões em 2024 — e aponta centralização das cotações pela cúpula da secretaria. Empresas supostamente de fachada e fornecedores sem capacidade operacional teriam sido direcionados para contratos inflados. Entre os exemplos citados na decisão estão a Flademma, com nove contratos somando R$ 7,7 milhões, e a Atec, ligada a familiar de subsecretária, que recebeu R$ 11,4 milhões.
Os investigadores identificaram movimentações ligadas a Luiz Fernando Passos de Souza, preso na operação, responsável por triangular recursos por meio de empresas como VML e E.H. Almeida Casa de Festas e por saques em dinheiro — relatórios do Coaf citam provisionamentos que somaram R$ 4 milhões, com R$ 2,96 milhões sacados. A aproximação a Rangel ocorreu após análises de material apreendido com o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, cuja planilha detalharia troca de cargos e promessas eleitorais.
A prisão de Rangel é a terceira entre deputados fluminenses recentemente detidos — após Bacellar e Thiego Raimundo (TH Joias) — e amplia o desgaste do núcleo político associado a Cláudio Castro e à atual direção da Alerj. Há suspeita de vazamento da operação: um dia antes da deflagração, a vereadora Thamires Rangel, filha do deputado, foi exonerada de cargo no governo estadual. Além do impacto jurídico, o caso cria pressão política sobre o Executivo e o Legislativo do estado e renova interrogações sobre controles, transparência e responsabilidade na gestão dos contratos públicos.