O Palácio do Planalto intensificou a mobilização política para tentar aprovar a chamada PEC 6x1 — que acaba com a escala 6x1 — antes do recesso do Congresso, marcado para 18 de julho. No centro da ofensiva está a recém-nomeada líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), que solicitou reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em 25 de junho, logo após ser anunciada para o cargo. Até agora, a agenda ainda não foi confirmada; integrantes do governo dizem esperar a conversa nos próximos dias.
A proposta, aprovada pela Câmara em maio, prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, a instituição de dois dias de descanso e uma adoção gradual das novas regras ao longo de 14 meses. O Senado marcou uma sessão temática para 1º de julho para discutir os impactos econômicos e sociais do texto — uma tentativa explícita do Executivo de colocar pressão política sobre a Casa e acelerar a tramitação.
Apesar da articulação, o clima no entorno do presidente é de prudência. Fontes do Planalto avaliam que o calendário legislativo reduz drasticamente as chances de votação definitiva antes do recesso. Há também um componente relacional: a interlocução entre o comando do Senado e o governo ainda tem arestas após a derrota no caso da indicação de Jorge Messias para o STF, e aliados suspeitam que Alcolumbre pode preferir um encontro presencial com Lula antes de ceder a um ritmo acelerado de votação.
No entanto, o governo aposta na relação direta entre Teresa Leitão e o presidente do Senado como fator capaz de destravar a pauta. Se a articulação falhar e a PEC não for votada antes da pausa, haverá custo político concreto: perda de fôlego para apresentar a medida como bandeira pró-trabalhador no período pré-eleitoral, narrativa que o Planalto intenta explorar. Para a própria Teresa, a incapacidade de entregar a votação no curto prazo pode enfraquecer sua liderança recém-assumida.
Os próximos passos a observar são a confirmação do encontro entre Teresa e Alcolumbre, o tom e os resultados do debate marcado para 1º de julho e a movimentação do Senado nas duas semanas que antecedem o recesso. Para o governo, a janela é estreita; para o Congresso, a decisão tende a equilibrar avaliação técnica dos impactos e custo político de avançar sem consenso.