O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para a liderança do governo no Senado, numa medida de contenção política depois do desgaste público causado pela 9ª fase da Operação Compliance Zero que atingiu Jaques Wagner (PT-BA). A saída de Wagner, que passará a concentrar-se na defesa sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal, foi anunciada como gesto para preservar a campanha presidencial, já citada em pesquisas recentes como prioritária para o Palácio do Planalto.
A missão de Teresa é dupla e imediata: recuperar a credibilidade interna da articulação e reconstruir a ponte com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem tem bom trânsito. O racha entre Alcolumbre e a antiga liderança ficou explícito no episódio da indicação de Jorge Messias para a vaga do STF. A derrota de Messias — cujo apoio garantido pela base foi superestimado pelos articuladores e terminou faltando dez votos — funcionou como o maior indicador público de desarrumação na articulação governista.
O episódio da votação expôs fragilidades práticas: subestimação de frentes contrárias e falhas de interlocução com nomes centrais do Senado e do próprio Judiciário. A costura necessária envolverá negociações delicadas, que terão de conciliar interesses institucionais e cálculo eleitoral. Para o governo, a capacidade de recompor alianças em Brasília não é apenas técnica: traduz-se em capacidade de aprovar agenda e blindar a estratégia eleitoral para 2026.
Teresa Leitão tem atributos que justificam a escolha: mandato longo até 2031, relação próxima com Lula e perfil considerado difícil de atacar por adversários. Ainda assim, a tarefa não é neutra politicamente. A troca de liderança é também um reconhecimento público de que a articulação anterior falhou em mensurar riscos e agregar apoios — um ponto que amplia desgaste e acende alerta sobre a eficácia da coordenação entre o Planalto e os líderes no Congresso.
A nova líder precisa entregar resultados rápidos: recompor canais com presidentes de partido, neutralizar resistências ao nome do governo e evitar que investigações em curso se convertam em crise permanente para a base. A nomeação de Teresa é um movimento de contenção, mas não elimina o conflito entre reputação, agenda legislativa e pressão eleitoral. Resta ver se sua interlocução com Alcolumbre e outros senadores será suficiente para transformar a reação em recuperação estratégica.