O anúncio público de Flávio Bolsonaro de que a senadora Tereza Cristina será sua candidata a vice encerrou semanas de especulação, mas não apagou a cautela que ainda persiste nos bastidores. Dirigentes do PP ouvidos reservadamente confirmam que o nome nunca foi surpresa para as legendas, mas ressaltam que a decisão ainda não está sacramentada do ponto de vista político.

Segundo interlocutores do Progressistas, Tereza reúne atributos tidos como estratégicos para a chapa: trânsito no Congresso, ligação estreita com o agronegócio, interlocução com o setor produtivo e índice de rejeição inferior ao de outras opções à direita. Ainda assim, a formalização demorou porque a própria senadora demonstrou reservas e condicionou a aceitação a garantias sobre papel e estrutura no projeto político.

Nos últimos dias, dirigentes intensificaram as negociações para acelerar a definição, diante do calendário eleitoral e da necessidade de ampliar apoio. Mesmo após publicações e manifestações iniciais, pessoas próximas afirmam que Tereza continua refletindo sobre o impacto da escolha — inclusive cobrando maior participação feminina e espaço para mulheres em posições estratégicas num eventual governo.

A hesitação tem efeitos concretos: prazos apertados para fechar alianças, risco de transmitir indecisão e custo político para a construção de palanques regionais. Se a senadora confirmar a composição, tende a fortalecer vínculos com o agronegócio; se recusar ou postergar, a campanha de Flávio volta a enfrentar incertezas e abre-se margem para novas disputas internas e ajustes estratégicos.