A escalada de atritos comerciais com os Estados Unidos traz à tona um dilema que já preocupa setores exportadores: como reagir a investidas tarifárias sem perder espaço ou concessões estratégicas? Em entrevista ao Correio Braziliense, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu que o Brasil deve chegar às negociações com proposta própria e estratégia definida, em vez de adotar ações reativas que possam ampliar o custo econômico para produtores e indústria.
Tereza Cristina frisa que a diplomacia parlamentar está ativa e que o canal entre legislativos continua aberto, com visitas e trocas recentes de informações. Ainda assim, ela avalia que não é o momento de montar uma nova missão parlamentar oficial a Washington; antes, é necessário organizar detalhadamente as demandas brasileiras e mapear pontos de barganha. A posição sinaliza cautela: pressionar cedo demais pode reduzir margem de negociação, mas a paralisação também pode deixar setores desprotegidos.
Entre os temas citados como potenciais objetos de negociação estão o sistema de pagamentos Pix, o etanol e minerais críticos — áreas que misturam interesses econômicos e sensíveis questões industriais. A abertura do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e a investigação sob a Seção 301 criaram incerteza sobre tarifas adicionais, cenário que, segundo a senadora, exige coordenação entre governo, Congresso e setor privado para minimizar impacto e evitar surpresas que elevem custos e prejudiquem empregos.
O seminário 'A Nova Geoeconomia Mundial', promovido pelo instituto ligado à parlamentar, reúne especialistas brasileiros e ex-diplomatas americanos justamente para pensar esse roteiro. A voz de Tereza Cristina aponta para o que é, na prática, um alerta político: o governo federal precisa demonstrar capacidade de formulação e resposta, sob pena de ver o desgaste aumentar entre exportadores e nas cadeias produtivas. A negociação com Washington, conclui a senadora, é inevitável — resta ao Brasil decidir se entra à mesa com projeto e força suficientes para defender seus interesses.