A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Brasília contra o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do jornalista Leo Dias, na 10ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, Miranda coordenava uma rede digital que promovia ataques ao Banco Central nas redes sociais, mobilizando influenciadores para deslegitimar a autoridade da instituição.
A apuração também aponta que o publicitário teria feito uma devassa na vida da repórter Malu Gaspar, alvo de buscas por supostas irregularidades relacionadas a reportagens sobre fraudes no Banco Master. Sem encontrar provas contra a jornalista, a investigação indica que houve tentativa de contratá-la com proposta milionária, episódio que, para a PF, compõe um padrão de coação e intimidação.
A autorização para as buscas foi concedida pelo ministro André Mendonça, que destacou o alto grau de periculosidade do grupo e descreveu sinais de atuação similar ao de uma máfia. A PF sustenta que recursos originados de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master foram usados para financiar campanhas de desinformação, com objetivos de proteger dirigentes do esquema, manipular a opinião pública e violar dados de terceiros.
A defesa de Thiago Miranda nega irregularidades e afirma que sua atuação seguiu a legalidade, com respeito às instituições e à liberdade de expressão. Independentemente do desfecho, o episódio tende a produzir efeito político: expõe riscos à credibilidade de órgãos financeiros e levanta questões sobre a penetração de esquemas de influência digital no debate público, com possível custo reputacional para envolvidos e pressão por maior transparência.