O humorista e deputado federal Tiririca (PSD) publicou nesta quinta-feira (8/10) um vídeo nas redes em que comenta o fracasso eleitoral na tentativa de reeleição pelo Ceará, seu estado natal. Após quatro mandatos exercidos como parlamentar por São Paulo e 16 anos na Câmara, ele recebeu apenas 5.523 votos no pleito — seu pior desempenho em cinco candidaturas — e atribuiu o revés à dificuldade de transferir a popularidade: "Santo de casa não faz milagre" e "Acho que a política no Ceará é muito séria. Acho que eu brinquei muito".
O contraste com 2010, quando foi o parlamentar mais votado do país com 1,34 milhão de votos, é claro e coloca em xeque a estratégia de mudança de domicílio eleitoral adotada por Tiririca. No vídeo, em que faz o gesto de dinheiro com as mãos — admitindo ter adquirido o "tique" durante a campanha —, ele também desabilitou os comentários, limitando a interlocução com eleitores e analistas sobre os motivos da derrota.
Santo de casa não faz milagre
Politicamente, o resultado expõe limites da marca pessoal quando deslocada de um eleitorado consolidado. Durante seus mandatos por São Paulo, Tiririca teve votações políticas relevantes, como apoio ao impeachment de Dilma Rousseff e à PEC do Teto de Gastos, e chegou a declarar em 2017 que não concorreria novamente, posição revertida no ano seguinte. Agora, apesar de não ter sido eleito, aparece na lista de suplentes do PSD — que conquistou três vagas — o que mantém alguma possibilidade de ingresso na Câmara, mas sem o apoio popular demonstrado no passado.
Para o PSD e para o próprio Tiririca, o resultado acende alerta sobre a eficácia de campanhas baseadas mais na imagem do que em articulação local. A derrota no Ceará reforça a necessidade de reavaliar estratégia e presença territorial caso o objetivo seja manter relevância política além do carisma e do nome conhecido nas urnas.