O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a penhora de um imóvel de Carla Zambelli localizado em Mairiporã, na região metropolitana. A decisão, publicada em 18 de maio, decorre do não pagamento de uma indenização de R$ 17 mil ao fotógrafo Peter Leone pelo uso irregular de uma fotografia do ministro-chefe da Secretaria‑Geral, Guilherme Boulos, em postagem de 2021. O despacho foi assinado pelo juiz Ricardo Kuei Hsu, da Vara do Juizado Especial Cível de Itaquera.
O oficial de Justiça recebeu ordem para relacionar todos os bens encontrados no imóvel, inclusive aqueles considerados penhoráveis; os itens apontados serão avaliados e podem ser levados a leilão para quitar a dívida. A defesa de Zambelli sustentou que a imagem supostamente integrava um banco de dados de uso livre, mas a juíza Fernanda Deporte e o juízo de Itaquera rejeitaram o argumento por ausência de comprovação documental da cessão dos direitos.
A medida se soma ao cenário judicial complexo da ex-deputada: ela está presa em Rebibbia, em Roma, desde 2025 e responde a processo de extradição. Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos em um processo envolvendo invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça e falsidade ideológica, e responde também por outra condenação relativa a porte ilegal e constrangimento ilegal. Se confirmada a extradição, o plano do governo é que cumpra pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia.
Além do efeito patrimonial imediato, a penhora tem repercussão política: mostra que demandas cíveis por uso de imagem podem alcançar bens pessoais e acrescenta mais um capítulo à litigiosidade que cerca uma figura exposta do bolsonarismo. A execução judicial força um confronto entre a narrativa pública da ex-parlamentar e as consequências concretas sobre seu patrimônio, com potencial de desgaste simbólico e jurídico diante de apoiadores e adversários.