O Tribunal de Justiça de São Paulo instalou, em cerimônia que contou com a presença do presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, novas Varas Estaduais especializadas em Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A mudança — que inclui a transformação de varas já existentes e a criação de unidades inéditas — tem como objetivo centralizar processos complexos para evitar a fragmentação das investigações e acelerar respostas ao avanço das facções.

No novo desenho, a 1ª e a 2ª Varas de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens passam a ter nomenclatura unificada, surge a 3ª Vara com a mesma especialidade e é criada a Vara Estadual das Garantias, dedicada exclusivamente à fase investigativa. Também foram previstas varas para crimes contra a ordem tributária e econômica e para ilícitos em licitações e contratos, tentativa de aproximar o Judiciário das frentes onde passam recursos ilícitos.

O plano do CNJ insiste no foco financeiro: Painel Nacional do Crime Organizado e medidas para combater o uso de criptoativos, empresas de fachada e plataformas clandestinas de apostas são o núcleo da estratégia. Há, porém, um desafio administrativo e técnico: concentrar competência exige integração com autoridades financeiras e a capacitação de magistrados e equipes para rastrear estruturas transnacionais — tarefa que demandará investimentos e articulação contínua entre órgãos.

Fachin chamou atenção para a vulnerabilidade dos magistrados: cerca de 100 juízes atuam em área de risco, sendo 79 já amparados por medidas protetivas. A criação da Rede Nacional de Magistrados e a reunião marcada para 14 de julho em Brasília reforçam a intenção de política de Estado. A iniciativa pode melhorar a eficiência investigativa e a recuperação de ativos, mas seu impacto real dependerá de proteção efetiva, recursos técnicos e da manutenção da coordenação institucional além de gestões eleitorais.