O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirmou que o Brasil deve buscar todas as possibilidades de entendimento com os Estados Unidos antes de ampliar uma resposta comercial. Em nota divulgada na sexta-feira, Trad ressaltou a importância de esgotar o diálogo bilateral, ao mesmo tempo em que reconheceu a necessidade de estar preparado para agir quando for preciso.

A posição do parlamentar surge depois de o governo anunciar, na quinta-feira, o início de um processo de avaliação para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. A medida permite ao Brasil adotar contramedidas quando barreiras unilaterais prejudicam sua competitividade, mas a abertura do processo não implica automática imposição de tarifas de retaliação: trata-se de uma etapa de consulta e análise técnica, que incluirá interlocução diplomática com os EUA.

O contencioso tem razões concretas: em 15 de julho os Estados Unidos informaram aplicação de alíquotas de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, medidas que passaram a vigorar em 22 de julho. Na sequência, em 23 de julho, Washington anunciou nova tarifa de 12,5% sob alegações relacionadas ao combate ao trabalho forçado, com vigência a partir de 24 de julho. Paralelamente, o Brasil já iniciou consultas no âmbito da Organização Mundial do Comércio, etapa típica na busca de solução para disputas comerciais.

Do ponto de vista político e econômico, a alternativa apontada por Trad — priorizar negociação até o limite — representa uma tentativa de equilibrar defesa dos interesses nacionais e risco de escalada. A Lei da Reciprocidade é tratada no Congresso como instrumento legítimo, mas sua ativação traz custo diplomático e exige critérios técnicos claros. A fase que se abre testará a capacidade do governo de proteger exportadores sem transformar a resposta em um ciclo de retaliações que prejudique cadeias produtivas e a própria inserção do Brasil no comércio global.