O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), apresentou requerimento para declarar Paolo Zampolli, assessor ligado ao governo dos Estados Unidos, persona non grata no Brasil. A iniciativa responde a declarações do assessor em entrevista à emissora RAI, quando ele fez afirmações consideradas ofensivas às mulheres brasileiras. Trad classificou as falas como inaceitáveis e pediu uma retratação pública imediata nas redes sociais.

O episódio ganhou contornos maiores por envolver também acusações pessoais trazidas pela ex-modelo Amanda Ungaro, ex-companheira de Zampolli. Na entrevista, além da frase que generalizou o comportamento das brasileiras, o assessor teria empregado termos pejorativos que ampliaram a repercussão negativa do caso e motivaram o pedido formal no Senado.

O Ministério das Mulheres divulgou nota condenando as declarações e ressaltou que manifestações misóginas ultrapassam o âmbito da opinião pessoal, podendo configurar crime. A pasta tratou o teor das falas como ataque à dignidade das brasileiras, fortalecendo o argumento de parlamentares que defendem medidas diplomáticas como resposta proporcional à ofensa.

Além do imediatismo moral da reação, o caso traz consequências políticas e diplomáticas claras: declarar um assessor persona non grata é medida extrema que pode tensionar canais bilaterais e exigir do governo federal uma postura calibrada entre defesa da honra nacional e gestão das relações com Washington. A pressão por retratação pública e por providências poderá revelar o peso político da ofensa e a capacidade do Executivo de transformar indignação em resposta institucional.