A equipe de transição do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) se reuniu nesta sexta (23/10) com a comissão do atual governador Mateus Simões (PSD) para iniciar o processo formal de sucessão. O primeiro encontro teve como pauta principal os programas e pontos de atenção na área da saúde, com apresentação de relatórios de entrega e orientações para os primeiros 90 dias da futura gestão.

O governo Simões diz buscar evitar prejuízos à população e garantir a continuidade administrativa; a condução do processo está a cargo dos secretários Marcel Beghini (Casa Civil) e Silvia Listgarten (Planejamento e Gestão). Os trabalhos começaram em 6 de outubro, as reuniões terão transmissão institucional e o processo de transição está previsto para durar um mês, com calendário de encontros setoriais.

A comissão de Cleitinho, coordenada pelo vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão, reúne 26 nomes — sem remuneração e sem garantia de cargos — e inclui deputados, ex-candidatos, uma procuradora, servidores e profissionais cotados para pastas-chave, como Dr. Bernardo Guimarães para a Secretaria de Saúde. O grupo já enviou ofício solicitando detalhamentos sobre a condição financeira do estado, com ênfase nas projeções para 2027 e na folha de pagamento.

O pedido de informações fiscais é sinal de que a transição vai além da técnica e toca no espaço fiscal que a próxima gestão terá para o setor de saúde. Exigir projeções até 2027 pode acender alerta sobre ajustes necessários e condiciona a agenda programática do novo governo: sem clareza nas contas, a promessa de continuidade e ampliação de políticas públicas corre o risco de esbarrar em limitações orçamentárias. A sucessão em Minas começa, portanto, com foco técnico, mas também com um teste concreto de transparência e capacidade de gestão.