Representantes do transporte rodoviário de cargas intensificaram nas últimas semanas a articulação no Congresso para que o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) assuma a relatoria da medida provisória que altera a lei do piso mínimo do frete. Em reunião realizada em 6 de abril, lideranças do setor formalizaram um manifesto em defesa do parlamentar como porta-voz das mudanças.

O texto, assinado por presidentes e dirigentes de entidades como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, a Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Carga e a Cebrasse, além do apoio de federações e do Sesc/Senac, ressalta que a complexidade da proposta exige um relator com experiência prática no segmento. Entre os signatários estão Diumar Bueno, Janderson Maçaneiro e João Batista Diniz.

Tem experiência prática e conhecimento da realidade dos caminhoneiros, por isso é apontado como nome adequado para a relatoria

A medida provisória busca endurecer a fiscalização do cumprimento do piso do frete e prevê a exigência do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em todas as operações. O CIOT é um registro numérico gerado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para formalizar contratos e tornar mais transparente o repasse dos valores aos motoristas.

Os apoiadores argumentam que Zé Trovão conhece os custos operacionais e as dificuldades enfrentadas por autônomos e pequenas transportadoras, citando episódios recentes como a presença do deputado no Porto de Santos, em 31 de março, quando se reuniu com caminhoneiros. A expectativa das entidades é formalizar novas adesões ao manifesto e ampliar a pressão política pela indicação.

Do ponto de vista institucional, a articulação expõe duas demandas simultâneas: a necessidade de rigor técnico e fiscalização efetiva do piso mínimo, e o risco político de que a relatoria fique marcada pela origem setorial do relator. Para o governo e para a Mesa da Câmara, o nome deverá conciliar legitimidade técnica e isenção política para evitar desgaste na tramitação.

A obrigatoriedade do CIOT em todas as operações é vista pelas entidades como instrumento para garantir transparência nos pagamentos