O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou à Superintendência Regional da Polícia Federal que proceda à prisão imediata do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. A decisão atendeu a ação da Federação Brasil Esperança (PT, PCdoB e PV), que denunciou redução da frota de ônibus superior a 50% em dias úteis na capital.
A medida teve por base inspeção judicial na sede do BRT que encontrou vários veículos parados e o relato de um supervisor — Igor César da Cruz Moraes — de que a operação estava, 'seguindo orientação da Semob', abaixo do nível normal. Mais cedo, o prefeito Bruno Reis admitiu que parte da frota não saiu das garagens após sindicalistas colarem adesivos alusivos a candidatos do PT, o que teria levado empresas a recolher ônibus para evitar propaganda irregular.
Além da ordem de prisão, o desembargador exigiu que Semob e concessionárias liberem 100% da frota, com itinerários e frequência compatíveis com dias úteis, e garantam gratuidade das passagens. A decisão prevê multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento e encaminha a apuração ao Ministério Público Eleitoral. A Semob afirmou ter determinado a liberação dos veículos e que dialoga com sindicatos para normalizar a operação.
O episódio tem implicações políticas e institucionais imediatas: além do impacto direto sobre a mobilidade urbana e os usuários, a determinação do TRE-BA amplia o desgaste sobre a gestão municipal, complica a narrativa oficial de normalidade e pode elevar o custo político de eventuais falhas na coordenação entre secretaria, empresas e categorias sindicais. A possibilidade de aplicação de multas pesadas e o acionamento da PF colocam a prefeitura sob forte pressão para demonstrar conformidade com a legislação eleitoral e garantir o serviço à população.