O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal determinou a suspensão imediata de uma propaganda da candidata ao Senado pelo DF, Michelle Bolsonaro (PL), que trazia imagens e declarações do ex‑presidente Jair Bolsonaro. A liminar, proferida pelo relator Rafael Moreira Mota, atendeu a representação apresentada pela candidata Erika Kokay (PT) e apontou que a presença de Bolsonaro na peça não foi meramente incidental, o que afrontaria a suspensão dos direitos políticos imposta pelo Supremo Tribunal Federal.

A campanha de Michelle informou que já apresentou recurso contra a decisão e anunciou a divulgação, no início da noite, de um vídeo em que a ex‑primeira‑dama se manifestará sobre o caso. A coordenação criticou a proibição, qualificando‑a como perseguição, e busca na apelação reverter a retirada da inserção sob pena de multa diária determinada pelo TRE‑DF em caso de descumprimento.

A disputa tem dimensão política e jurídica: a decisão reforça o entendimento do tribunal eleitoral de que limites impostos pelo STF ao ex‑presidente alcançam também manifestações eleitorais por intermédio de terceiros. Para a campanha, a medida restringe a narrativa de ligação pessoal entre Michelle e Bolsonaro; para adversários e para quem levou a questão ao Judiciário, trata‑se de impedir transferência de votos via exposição da imagem do ex‑presidente.

No plano prático, a suspensão complica a estratégia do PL e do entorno bolsonarista, forçando ajustes na comunicação e elevando o risco de novos confrontos judiciais enquanto a eleição de 2026 se aproxima. A próxima etapa será a análise do recurso pelo TRE‑DF, que terá de decidir se mantém a liminar ou autoriza a veiculação da peça — um termômetro sobre até onde a Justiça Eleitoral pretende fortalecer barreiras ao uso da imagem de líderes com restrições impostas pelo STF.