O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro promoveu nesta segunda-feira uma apresentação pública da urna eletrônica, na qual o equipamento foi aberto para mostrar, passo a passo, componentes e procedimentos de segurança. A iniciativa integra a programação da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação e teve como objetivo central reforçar a confiança da sociedade no processo.

Técnicos do TRE explicaram camadas de proteção que vão desde lacres da Casa da Moeda até assinaturas digitais, biometria e auditorias periódicas. Foi detalhado o uso de memórias internas e mídias externas para registro dos votos, além de uma mídia de contingência que permite a transferência segura dos dados caso uma urna apresente falha, sem perda ou alteração do registro da seção.

A corte ressaltou ainda que o sistema é isolado, sem conexão com a internet, e que a atualização do software ocorre de forma simultânea em todo o país — elementos que, na avaliação dos responsáveis, reduzem a superfície de ataque. O presidente do TRE-RJ defendeu a legitimidade das urnas e listou os atores que têm acesso para fiscalizar o código-fonte, como partidos, OAB, Ministério Público e universidades.

O secretário de TI reiterou que o fabricante segue uma especificação técnica definida pela Justiça Eleitoral e não tem controle total sobre a ativação dos equipamentos. Questionado sobre proposta de retorno ao voto em papel, ele lembrou o objetivo histórico da urna eletrônica de eliminar fraudes sistemáticas e argumentou que a reintrodução do papel seria retrocesso por custos, lentidão e riscos de erro humano. Ainda assim, a demonstração técnica deixa claro que a resposta ao descrédito exigirá combinar segurança tecnológica com estratégia de comunicação pública para enfrentar a desinformação que se multiplicou desde as últimas eleições.