O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) homologou, por unanimidade, a retotalização dos votos da eleição para deputado estadual de 2022. O procedimento foi realizado por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomada em 31 de março, e teve por objetivo recalcular os resultados excluindo os votos atribuídos ao então deputado Rodrigo Bacellar.
Com a nova apuração, o delegado Carlos Augusto (PL) passa de suplente a titular da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A troca não alterou a distribuição das cadeiras entre partidos e federações, mas mudou a composição interna do PL: Renan Jordy assume a suplência deixada por Carlos Augusto. Segundo o relator do processo, o presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares, não houve reclamações de partidos ou federações contra o procedimento.
A retotalização decorre da decisão do TSE que cassou o diploma de Rodrigo Bacellar no âmbito do processo que apurou o desvirtuamento de recursos da Fundação Ceperj para fins eleitorais. No mesmo julgamento, o TSE declarou a inelegibilidade por oito anos do ex-governador Cláudio Castro e do então presidente da Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes. As decisões provocaram uma sequência de atos judiciais e administrativos que ainda repercutem na estrutura de comando da Alerj.
No plano político imediato, a mudança de titularidade obrigou a Alerj a reorganizar a eleição da sua mesa diretora: o presidente em exercício, Guilherme Delaroli, convocou o Colégio de Líderes para deliberar sobre a nova eleição da presidência da Casa. A anulação prévia da votação que elegeu Douglas Ruas foi apontada pela presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio como consequência direta da necessidade de retotalização determinada pelo TSE. O episódio acende alerta sobre a estabilidade interna da assembleia e complica a narrativa da base do PL, que terá de recompor acordos e garantir maior controle institucional para evitar novas turbulências.