O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) homologou neste sábado a retotalização determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral, oficializando a vitória do candidato do PL, Douglas Ruas, para o governo do estado. A medida decorre da anulação de 274.411 votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos), decisão proferida pelo TSE na semana passada. Com a exclusão desses votos, o percentual de Ruas subiu de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, garantindo a vitória já no primeiro turno.
Nos números divulgados antes da retotalização, Ruas somava 4.271.199 votos, enquanto o segundo colocado, Eduardo Paes (PSD), tinha 3.706.984 votos — cenário que apontava para segundo turno. A retificação da base eleitoral mudou a aritmética e encerra, por ora, a disputa direta entre os dois principais candidatos. O calendário jurídico ainda prevê que as partes legitimadas terão dois dias para apresentar eventuais impugnações; o resultado será publicado em até três dias e, na sequência, uma sessão plenária do TRE-RJ deve examinar contestações e, ao final, homologar o resultado.
O caso chegou ao TSE depois que o TRE-RJ indeferiu a candidatura de Garotinho. Como o recurso estava pendente, o nome do ex-governador constou nas urnas. Ele desistiu do recurso na segunda-feira (5/10), mas o pedido de desistência foi rejeitado pela Corte, que deu prosseguimento à análise. A sequência processual — indeferimento, recurso, presença na urna e anulação posterior — ressalta fragilidades operacionais e jurídicas que passaram a influenciar diretamente o desfecho eleitoral.
Politicamente, a oficialização em primeiro turno muda a agenda imediata do estado: fortalece a capacidade de Ruas de iniciar articulações de transição com maior legitimidade e reduz a janela de mobilização da oposição. Institucionalmente, o episódio acende debate sobre prazos e critérios usados pelo Judiciário eleitoral em casos de indeferimento tardio de candidaturas e deixa claro que contestações judiciais ainda podem alterar resultados, dentro dos limites legais. A decisão do TRE-RJ, portanto, resolve a questão do vencedor, mas abre um período curto de possíveis impugnações e repercussões políticas e jurídicas nas próximas semanas.