Tribunais regionais eleitorais de todo o país realizam, na véspera do primeiro turno, a última fase da logística eleitoral: mais de 560 mil urnas eletrônicas estão sendo posicionadas e lacradas nos locais de votação. Do total, cerca de 499 mil serão usadas na votação e quase 65 mil permanecerão como reserva para substituição imediata em caso de falha técnica. As máquinas ficam sob guarda policial até o início do pleito; em grandes cidades houve parcerias com órgãos municipais, como o uso de ônibus escolares e apoio da Comlurb no Rio de Janeiro.
Além da distribuição física, todos os tribunais repetiram procedimentos de verificação técnica. Foram emitidas zerésimas no nível estadual e no TSE para demonstrar que os bancos de totalização e cada urna não registravam votos previamente. Voluntários e mesários também deverão emitir a zerésima de cada urna antes do início da votação. Os tribunais sortearam equipamentos para auditoria: alguns terão testes de autenticidade nas seções; outros serão recolhidos e comparados com votos em cédula em locais abertos à fiscalização, como tribunais e instituições convidadas — procedimento adotado no RJ com a participação da FGV.
A operação busca combinar escala logística e mecanismos de auditabilidade para reduzir espaço a contestações pós-pleito. A execução, porém, é complexa: envolver transporte em grande número, guarda policial e substituição de máquinas exige coordenação fina. Por isso, os resultados das zerésimas e das auditorias públicas são centrais para a credibilidade do processo. Autoridades eleitorais defendem que essas etapas comprovam que a urna registra fielmente o voto, mas seguem expostas ao risco de desgaste político se houver incidentes logísticos ou técnicos no domingo.
Em termos políticos, qualquer problema operacional tende a acender alerta e ampliar desgaste sobre a Justiça Eleitoral, abastecendo narrativas de contestação. Ao mesmo tempo, a transparência das cerimônias de verificação e das auditorias oferece instrumentos concretos para partidos e cidadãos fiscalizarem o pleito. A eleição, como lembram os tribunais, começa muito antes do eleitor apertar “confirma”: passa pela preparação, lacração, fiscalização e auditagem pública das urnas.