O ex‑presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, trocou a equipe de defesa enquanto busca negociar um acordo de delação premiada no processo sobre a compra de títulos do Banco Master. A mudança, confirmada pelo blog CB.Poder, substituiu o criminalista Cleber Lopes por Davi Tangerino; o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça manteve a prisão de Costa em 22/4.

Davi Tangerino, professor de Direito Penal da Uerj e ex‑docente da FGV, tem atuação em casos que envolvem o setor bancário, tecnologia e petróleo e gás, além de passagem como assessor de um ministro do STF. Para compor a equipe, também foi convocado o subprocurador‑geral da República aposentado Eugênio Aragão.

Aragão, que assumiu o Ministério da Justiça no governo Dilma em 2016 e atuou como coordenador jurídico do PT nas campanhas de 2018 e 2022, oferece à defesa experiência institucional e trânsito político. A combinação entre um criminalista técnico e um operador com perfil político sinaliza que a estratégia é abrir canais de negociação para reduzir riscos processuais.

Além do efeito jurídico, a troca tem repercussão política: a eventual colaboração premiada pode alterar a dinâmica investigativa e provocar reflexos no Distrito Federal, onde o caso tem maior visibilidade. Nos próximos dias, a defesa deve apresentar movimentos concretos — pedidos, negociações e recursos — que definirão se a estratégia resultará em acordo ou em batalha judicial prolongada.