O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump divulgou nesta terça-feira (2/6) imagens ao lado do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, em publicação em sua rede. As fotos, feitas no Salão Oval durante o encontro formalizado em 27 de maio, vieram acompanhadas de uma mensagem elogiosa do republicano, que destacou a postura patriótica do brasileiro. A visita e a exposição pública alimentam a narrativa de proximidade entre parte do bolsonarismo e lideranças conservadoras norte-americanas, mas o ato público ganhou novo significado diante de decisões do governo dos EUA anunciadas na sequência.

Logo após a reunião, Washington anunciou a inclusão das facções PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas — uma medida que polarizou o debate político nacional por potenciais implicações sobre soberania e cooperação bilateral. Em paralelo, a administração americana sinalizou a possibilidade de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros relacionados ao comércio digital, com eficácia prevista, segundo comunicado dos EUA, a partir de 15 de julho, caso persistam práticas consideradas desleais. Diante desse quadro, Flávio afirmou em entrevista à Rádio Itatiaia que, em encontros com integrantes da delegação americana — incluindo o próprio Trump, o vice e o senador Marco Rubio — pediu expressamente a preservação das empresas brasileiras contra taxação.

A foto e a mensagem de Trump têm efeito político ambíguo. De um lado, entregam visibilidade internacional a um nome da família Bolsonaro e reforçam laços com uma base conservadora global; de outro, coincidem com medidas americanas que expõem custos reais para o comércio e acendem um alerta para a campanha de 2026. Fontes próximas ao senador disseram ao Correio que Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias ajudaram a costurar o encontro — informação que reforça o papel da rede familiar na articulação externa do PL. O resultado é uma narrativa dupla: prestígio simbólico para o pré-candidato e, simultaneamente, riscos palpáveis para setores econômicos brasileiros e para a agenda de soberania que parte da retórica política pretende defender.

A sequência de fatos impõe uma necessidade de resposta clara tanto do pré-candidato quanto do governo federal. A ameaça de tarifa sobre o comércio digital não é só um instrumento diplomático: traduz-se em potencial impacto comercial e pressiona empresas brasileiras a buscar salvaguardas. Politicamente, o episódio complica promessas de defesa da autonomia do país frente a decisões externas e obriga os envolvidos a explicar qual é a estratégia prática para mitigar custos econômicos sem abandonar a interlocução internacional. O encontro com Trump, portanto, vai além da foto: transforma-se em teste de capacidade de gestão de riscos e de coerência entre discurso e resultado concreto para o cidadão.