O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista que a reunião privada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 7 de maio no Salão Oval, incluiu perguntas pessoais do mandatário norte-americano. Segundo o relato do ministro, o encontro durou cerca de três horas e teria começado com questionamentos sobre a infância pobre de Lula, tema que, conforme Durigan, impressionou Trump.
Durigan acrescentou que o presidente dos EUA também teria indagado sobre o período em que Lula esteve preso após a condenação ligada à Lava‑Jato, e sobre como ele encara hoje essa etapa da vida. Ainda de acordo com o ministro, Lula respondeu que não guarda rancores. Depois dessa interlocução inicial, a conversa teria avançado para itens da agenda bilateral, como a retirada de tarifas adicionais aos produtos brasileiros — medida efetivada em fevereiro de 2026 — e outros interesses comerciais.
Além do conteúdo em si, a divulgação do episódio tem consequências políticas: tornar público um trecho reservado de uma reunião no Salão Oval contribui para construir uma narrativa de empatia entre os dois presidentes, que o Planalto pode explorar como sinal de boa relação com Washington. Por outro lado, a ênfase em episódios pessoais em vez de detalhes técnicos da negociação abre espaço para críticas sobre prioridades e transparência — e expõe a prática de filtrar informações de encontro privado como instrumento de construção política.