O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26) a organização do segundo turno das eleições brasileiras, apontando a prorrogação do horário de votação como sinal de irregularidade e afirmando que o pleito 'pareceu fraudado'. Em conversa com jornalistas, ele disse não governar o Brasil e declarou manter boa relação com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.

A ampliação do horário de votação — determinada por um ministro do Supremo Tribunal Federal após relatos de restrições na circulação do transporte coletivo em várias cidades — alimentou o debate público sobre a condução do processo eleitoral. Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, contra cerca de 59,8 milhões atribuídos a Flávio Bolsonaro.

O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, classificou a opinião de Trump como 'totalmente equivocada' em entrevista à TV Vanguarda, destacando que 'não se interfere na política de outro país' e elogiando a urna eletrônica e a estabilidade jurídica do Brasil. Alckmin também afirmou que, encerrada a eleição, o país seguirá negociando acordos comerciais com os Estados Unidos e com outros parceiros, citando avanços do Mercosul e recorde de exportações mesmo diante de medidas tarifárias americanas.

O episódio reaponta um ruído diplomático num momento sensível para a relação bilateral. Parlamentares democratas dos EUA já haviam enviado carta em setembro acusando a administração Trump de ações para favorecer o candidato derrotado, incluindo medidas econômicas e ameaças legais. A declaração pública do presidente americano expõe falta de consenso em Washington e acrescenta tensão à agenda comercial e política entre os dois países, um fator que acende alerta sobre custos políticos e econômicos potenciais.