O Tribunal Superior Eleitoral adiou o julgamento que analisaria a retirada de circulação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel, depois de pedido de vista da ministra Estela Aranha. Com a providência, permanece em vigor a liminar determinada pelo presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, que havia suspendido a divulgação do levantamento.
A ação foi apresentada pelo Partido Liberal (PL) contra o levantamento da AtlasIntel, que registrou queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o vazamento de um áudio em que o senador tratava de uma negociação envolvendo R$ 61 milhões e o Banco Master, ligada à produção do filme 'Dark Horse'. Foi com base em indícios de possível comprometimento da neutralidade do levantamento que Nunes Marques ordenou a retirada.
O Regimento Interno do TSE prevê prazo de 30 dias para a devolução dos autos após pedido de vista. Nos bastidores, há expectativa de que a vista seja devolvida apenas depois de uma reunião entre a Corte e representantes dos institutos de pesquisa — proposta defendida pelo presidente do tribunal durante a sessão —, mas não há data definida para a retomada do julgamento.
A manutenção da liminar prolonga a incerteza sobre a circulação de dados eleitorais em momento sensível da campanha e reforça o debate sobre os limites da intervenção judicial sobre pesquisas. Para partidos e institutos, a decisão adianta um confronto institucional entre exigência de transparência metodológica e o risco de controle que restringe informações relevantes ao eleitor.
A interrupção do julgamento coloca o TSE no centro de uma discussão que envolve credibilidade das pesquisas, fiscalização de possíveis vieses e o direito à informação do eleitor. Enquanto o plenário não retomar a análise, a controvérsia permanece sem solução e com impacto direto no ritmo da disputa política.