O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu nesta terça-feira o julgamento que avalia a legalidade da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente realizada pela AtlasIntel. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, já havia determinado a suspensão individual da divulgação — que proíbe a republicação ou impulsionamento do levantamento nos canais oficiais do instituto — após entender haver indícios de indução nas perguntas.

O caso chegou ao plenário com placar ainda incipiente: o voto inicial de Kassio favorável à suspensão foi reafirmado, mas a ministra Estela Aranha pediu vista, o que suspendeu a sessão sem data para retomada. A pesquisa, publicada em 19 de maio, mostrou recuo de cinco pontos na intenção de voto atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a circulação de conversas envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O PL havia apresentado representação alegando que o questionário incluiu mídia (um áudio ou vídeo) ligada ao chamado caso Master e que essa exposição não foi integralmente anexada ao processo. Para Kassio, há elementos que apontam para possível comprometimento da neutralidade metodológica. A AtlasIntel, em defesa, sustentou que não houve violação das normas eleitorais e que a crítica do partido recai sobre interpretação subjetiva do impacto do episódio político.

A discussão no TSE extrapola um caso isolado: ministros como Dias Toffoli alertaram que a decisão poderá fixar parâmetros sobre o uso de áudios e vídeos em questionários e sobre o limite entre perguntas neutras e estímulos narrativos. O desfecho terá impacto direto sobre institutos de pesquisa, campanhas e veículos, gerando incerteza metodológica até que o tribunal delimite o que configura indução e o que permanece dentro da livre aferição da opinião pública.