O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou alterações em milhares de seções eleitorais para o segundo turno de 25 de outubro. Enquanto o tribunal chegou a divulgar mais de 4,3 mil mudanças, uma verificação feita pela BBC News Brasil no banco de dados público do TSE apontou 2.033 seções alteradas num levantamento realizado no domingo. O próprio tribunal explica que a lista é dinâmica e atualizada quatro vezes ao dia com informações enviadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Segundo o TSE, as mudanças ocorrem por necessidade de segurança — como danos em locais de votação causados por intempéries — ou outros problemas estruturais. Por serem temporárias em alguns casos, seções podem ser deslocadas e depois retornar ao local original quando as informações são consolidadas. A discrepância entre números chamou atenção e gerou reclamações de campanhas, que pediram divulgação mais ampla e medidas para garantir a locomoção dos eleitores.

Há um risco político e operacional concreto: a abstenção foi elevada no primeiro turno e é uma variável decisiva no segundo. A campanha do presidente Lula formalizou pedido de providências ao TSE, alegando que mudanças de última hora podem prejudicar comparecimento e alterar cenários locais — especialmente em regiões mais afetadas, como o Nordeste. A volatilidade dos dados amplia desgaste sobre a administração eleitoral e acende alerta para a necessidade de comunicação clara entre TREs, TSE e eleitores.

A recomendação prática é simples e urgente: confira sua seção antes de ir votar. O eleitor pode checar no site do TSE, em 'Onde votar' (ou no e-Título), usando CPF, número do título ou nome e dados pessoais. O tribunal orienta nova verificação no sábado (24/10) e no próprio domingo (25/10). Sem transparência eficiente, mudanças legítimas por segurança correm o risco de se transformar em falha logística com custo político.