O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avalia, nesta terça-feira (9/6), a liminar do presidente da Corte, ministro Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel. O levantamento apontou queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato pelo PL, Flávio Bolsonaro, após o vazamento de um áudio em que ele trata de um repasse de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente ligado ao financiamento do filme Dark Horse.

A decisão de Nunes Marques atendeu a pedido do PL, que alegou indução por parte do questionário. O ministro destacou suspeitas de direcionamento: oito das 49 perguntas tratavam sequencialmente do Banco Master e do episódio do áudio. O partido também contestou o uso do áudio, cuja autenticidade, segundo o PL, não estaria comprovada. A pesquisa ouviu 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto e nível de confiança de 95%.

Procedimentalmente, a AtlasIntel tem prazo de dois dias para apresentar documentação técnica que justifique metodologia e uso do áudio; depois o Ministério Público Eleitoral (MPE) será chamado a se manifestar. Em reação, o CEO do instituto, Andrei Roman, defendeu a reputação da empresa e ressaltou que outras pesquisas — como Quaest e Datafolha — identificaram padrão semelhante de impacto sobre a intenção de voto do pré-candidato, argumento usado pela AtlasIntel para negar contaminação metodológica.

Além do debate técnico, a disputa no TSE tem implicações políticas claras. A suspensão impede a circulação imediata do levantamento e abre tensão entre liberdade de informações eleitorais e exigência de padrões metodológicos. A controvérsia também acende alerta para a campanha de 2026: confirma desgaste identificado por diferentes institutos, mas coloca em xeque como e quando esses resultados devem ser divulgados, elevando pressão sobre tribunais, institutos e campanhas.