Na terça-feira (25/8), 15 influenciadores digitais passaram um dia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, no evento batizado de 'Confirm@: 30 anos de urna eletrônica'. Reunidos pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, os criadores somam cerca de 45 milhões de seguidores e participaram de visita ao local de armazenamento das urnas, ao Museu do Voto e a um “unboxing” das máquinas. A ação, promovida pela organização Redes Cordiais com apoio do YouTube e do TikTok, tem objetivo explícito: demonstrar passo a passo a auditabilidade e a segurança do sistema.

O movimento marca uma tentativa nítida do tribunal de furar bolhas digitais e alcançar públicos que não consomem comunicados oficiais. Para Nunes Marques, a iniciativa atende à capacidade comunicativa desses criadores: "Nós sabemos da capacidade de cada um de se comunicar, à sua forma, com seu público, e a ideia do TSE é trazer vocês um pouco mais para perto da Justiça Eleitoral". A lista de participantes inclui nomes de nichos diversos, do entretenimento à política, numa opção deliberada por abrangência de audiência.

Nós sabemos da capacidade de cada um de se comunicar, à sua forma, com seu público, e a ideia do TSE é trazer vocês um pouco mais para perto da Justiça Eleitoral, porque nós temos muito a ser dito para a sociedade brasileira

A estratégia tem méritos práticos: vídeos curtos e vozes com autoridade junto a seus seguidores podem difundir explicações técnicas de modo mais acessível que notas técnicas. Mas também enfrenta limites concretos. Conteúdos simplificados dificilmente substituem auditorias públicas e relatórios técnicos; vídeos podem reforçar consensos já existentes entre seguidores e pouco penetrar em bolhas adversas. Há ainda o risco de percepção pública sobre teatralização ou instrumentalização da comunicação institucional — um custo político não desprezível em ano eleitoral.

Do ponto de vista institucional, a iniciativa indica que o TSE reconhece a urgência de disputar narrativas online. Isso não elimina, porém, a necessidade de medidas sustentadas: transparência contínua, apoio a checagem independente e divulgação de dados técnicos que permitam verificações por especialistas. A aposta nos criadores pode reduzir distâncias no curto prazo, mas, para surtir efeito duradouro, precisa ser parte de uma agenda maior de confiança, fiscalização externa e divulgação técnica.