Na sexta-feira (4/9), a Justiça Eleitoral concluiu uma etapa-chave na preparação das eleições de 2026: a assinatura digital e a lacração dos sistemas que serão usados na votação, apuração e totalização. A cerimônia, ocorrida a 30 dias do primeiro turno marcado para 4 de outubro, formalizou versões dos programas previamente submetidas a testes e auditorias, após o processo de compilação que gera os arquivos executáveis destinados às urnas.
O procedimento envolve a geração de resumos criptográficos — assinaturas digitais que funcionam como impressão digital do software — e a gravação dos arquivos em mídias não regraváveis, que ficaram armazenadas na sala-cofre do TSE. Cópias serão encaminhadas aos Tribunais Regionais Eleitorais para a fase de preparação das urnas. Entre os sistemas lacrados estão os que cuidam do funcionamento das urnas, do registro e da transmissão dos boletins de urna, da totalização dos resultados e dos mecanismos de segurança e criptografia.
A cerimônia foi acompanhada por representantes autorizados a fiscalizar o processo, como Ministério Público, OAB, Congresso Nacional, Controladoria-Geral da União, Polícia Federal e a Sociedade Brasileira de Computação. A Corte também permitiu que esses fiscalizadores desenvolvam ferramentas próprias de verificação; esses programas passaram pelo mesmo processo de assinatura e lacração e foram incorporados às mídias oficiais.
Do ponto de vista institucional, a lacração é um passo técnico necessário para reduzir dúvidas sobre alterações de última hora. Mas a medida desloca a responsabilidade para a manutenção da cadeia de custódia, para a capacidade dos TREs em seguir os protocolos e para a transparência no acesso a auditorias. A efetividade do gesto — e seu reflexo político — dependerá da rapidez das respostas a questionamentos e da confiança que partidos, fiscalizadores e eleitores atribuíram aos mecanismos anunciados.