O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, formalizou nesta quinta-feira em Brasília o Pacto Nacional pela Paz e Tolerância nas Eleições 2026. A iniciativa reuniu cerca de 50 lideranças religiosas — de padres e pastores a babalorixás, monges budistas, espíritas e representantes de comunidades islâmicas, israelitas e anglicanas — e teve o apoio público da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Organização das Nações Unidas no Brasil. O objetivo explícito é mobilizar a capilaridade das instituições de fé para difundir mensagens de respeito mútuo, não-violência e valorização do pluralismo durante a corrida eleitoral.
A ação reedita e amplia uma iniciativa de 2022 idealizada por Edson Fachin. Em sua manifestação, Fachin ressaltou que o compromisso pela paz eleitoral originou-se como um apelo das organizações religiosas e da sociedade civil para preservar a serenidade do processo democrático e que boas práticas pertencem ao Estado e à sociedade, não a uma gestão pessoal. O atual presidente do TSE elevou o tom institucional ao incluir no pacto medidas relativas ao combate à desinformação e ao uso responsável de novas tecnologias no debate público.
Presentes, ministros como André Mendonça reforçaram a tese de que igrejas, templos e terreiros atuam como mediadores sociais em áreas onde o Estado tem alcance limitado, contribuindo para conscientizar eleitores sobre a importância do voto. O discurso do TSE busca, assim, ancorar a legitimidade das urnas não apenas na técnica das eleições, mas também em um ambiente de convivência democrática e respeito às diferenças ideológicas e religiosas.
Do ponto de vista prático, o pacto amplia a ferramenta de construção de confiança institucional ao engajar atores com penetração local. Mas a eficácia dependerá da adesão concreta dessas lideranças e da capacidade de traduzir compromissos simbólicos em ações que freiem a circulação de mentiras e reduzam episódios de violência política. Em suma: a iniciativa reforça uma estratégia preventiva relevante, mas não substitui medidas de fiscalização, responsabilização e enfrentamento das redes de desinformação que tensionam o processo eleitoral.