O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa nesta terça-feira (1º/9) o vídeo de inteligência artificial exibido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante o lançamento de sua candidatura à Presidência, em julho. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou representação à Justiça Eleitoral classificando a peça como deepfake — conteúdo manipulado digitalmente que reproduz imagem e voz de pessoas reais — em que aparecem cenas do ex-presidente Jair Bolsonaro para reforçar apelo eleitoral. O caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Na representação, os advogados do PT sustentam que o material tem potencial de induzir o eleitor a uma percepção equivocada ao incorporar imagens do ex-mandatário. Auxiliares de magistrados consultados por veículos do país apontam tendência à aplicação de alguma sanção, ainda que de menor monta, caso o tribunal conclua pela existência de irregularidade. A Corte terá de avaliar não apenas a técnica empregada, mas o impacto concreto do vídeo sobre a clareza e a veracidade da comunicação política no período eleitoral.
Politicamente, o julgamento coloca em evidência riscos e escolhas estratégicas da campanha de Flávio. O uso de IA em peças de propaganda eleitoral amplia o debate sobre os limites da criatividade digital e os cuidados necessários para não transformar tecnologia em instrumento de desinformação. Para o PL e para o núcleo bolsonarista, uma eventual punição, mesmo moderada, representa custo simbólico e jurídico que pode alimentar crítica da oposição; para a campanha do PT, a iniciativa jurídica é uma forma de marcar o terreno e sublinhar atenção à integridade do processo eleitoral.
Mais além da disputa entre partidos, a decisão do TSE será acompanhada como precedente sobre como a Justiça Eleitoral lida com inovações tecnológicas às vésperas de 2026. Uma sanção indicaria maior vigilância sobre materiais gerados por IA e exigiria ajustes de compliance nas campanhas; uma absolvição, por outro lado, poderia estimular debates legislativos sobre regras mais claras. Em qualquer cenário, o julgamento funciona como teste da capacidade institucional de reagir a novos vetores de influência eleitoral.