O Tribunal Superior Eleitoral revisou e corrigiu um dado divulgado no fim de semana que dizia que 4.352 seções eleitorais teriam mudado de local entre o primeiro e o segundo turno. A Justiça Eleitoral atualizou o número para 343 seções, após identificar que a contagem inicial decorreu de uma comparação equivocada com registros de 2024 e de falha na alimentação do sistema pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Autoridades do TSE e do Colégio de Presidentes dos TREs atribuíram o erro a uma leitura incorreta das bases. O presidente do Coptrel, desembargador Carlos Roberto Silva, explicou que o volume de 4,3 mil referia-se à variação entre 2024 e 2026, não entre os dois turnos deste ano. O próprio sistema ELO manteve discrepâncias regionais: em Minas apareciam 38 alterações contra 17 comunicadas pelo TRE; no Piauí, 18 no ELO e apenas quatro no levantamento local.

O episódio tem impacto prático e político. Em termos operacionais, gera ruído e potencial confusão entre eleitores num calendário já sensível; politicamente, expõe fragilidades de controle e comunicação da administração eleitoral, num momento em que confiança nas instituições é elemento central. Ainda que o TSE destaque que as alterações são rotineiras e menores do que o número inicialmente divulgado, o erro acende alerta sobre a necessidade de checagens mais rigorosas antes de números serem tornados públicos.

O tribunal recordou que ainda podem ocorrer mudanças até o dia da votação e recomendou que eleitores verifiquem seu local de votação apenas pelos canais oficiais: o botão “Onde votar” no aplicativo e-Título e os portais do TSE e dos TREs. As autoridades também afirmaram que juízes eleitorais costumam avisar por faixas e pela imprensa local quando há mudança de endereço de seção e não há registro, até aqui, de eleitores impedidos de votar por causa desses deslocamentos.

Mais do que corrigir um número, o TSE e os TREs precisam demonstrar aprimoramento nos processos de alimentação e validação de dados. Um erro técnico pode não ter afetado a logística de urnas, mas tem custo político: cria incerteza e abre espaço para questionamentos públicos sobre a confiabilidade das estatísticas eleitorais no período prévio à votação.