O Tribunal Superior Eleitoral determinou que a Meta (dona do Facebook e Instagram) apresente, em 48 horas, esclarecimentos sobre possível restrição seletiva de conteúdo da campanha do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida atende a representação da coligação, que acusa tentativa de interferência no processo eleitoral e alega que postagens do partido e de aliados tiveram entregas limitadas, o que prejudicaria a paridade de armas na disputa.

No despacho, o tribunal exigiu preservação de todos os registros — logs de moderação, dados de anúncios e métricas — e pediu detalhamento perfil a perfil de todas as medidas aplicadas desde 16 de agosto, incluindo redução de alcance, exclusão de recomendação, restrição de busca e a justificativa para a desabilitação da conta de anúncios em 23 de setembro. O TSE também quer explicações sobre anomalias em métricas de vídeos publicados em 7 de outubro e informações sobre a rede de 255 perfis supostamente geridos por inteligência artificial apontada por levantamento do projeto VigIA/Agência Lupa.

O tribunal oficiou a Agência Lupa e o Instituto Democracia em Xeque para que apresentem a metodologia das pesquisas que embasam a denúncia. Após a resposta da Meta, a coligação e a Procuradoria‑Geral Eleitoral terão 24 horas cada para manifestação antes que o TSE decida sobre o pedido de tutela de urgência — um cronograma que acende alerta sobre a velocidade com que a corte pretende resolver disputas envolvendo plataformas digitais.

A Meta reagiu negando fundamentos às alegações, afirmando que problemas técnicos reportados não afetaram apenas o Brasil e que a empresa cumpre normas eleitorais. O contraste entre a negativa da empresa e o detalhamento exigido pelo TSE expõe uma tensão institucional: se confirmadas, as restrições trariam custo político e alimentariam debates sobre transparência e regulação; se descartadas, o tribunal terá dado um recado sobre sua disposição em fiscalizar o ecossistema digital nas eleições.