A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha determinou a remoção, no prazo de 24 horas, de oito publicações que associavam o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro à Operação Unha e Carne. Entre os alvos da ordem estão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e os deputados Lindbergh Farias, Rogério Correia e Gleisi Hoffmann, além de perfis e páginas que compartilharam o material. A decisão estabelece multa diária em caso de descumprimento e veda a republicação dos conteúdos idênticos.
Na avaliação da ministra, os autos apontaram ausência de qualquer vínculo formal entre o representado e as investigações da operação, de modo que as postagens construíram, visual e discursivamente, uma ligação indevida. O TSE entendeu que a circulação da narrativa, desprovida de lastro factual robusto, tinha potencial para macular a honra objetiva do pré-candidato e configurar propaganda eleitoral negativa antecipada.
A Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Supremo, apura esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). Entre os alvos estão o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e o deputado estadual Thiago Rangel, preso na quarta fase da investigação. A PF descreve contratos direcionados a empresas pré-selecionadas e desvios que teriam sido lavados por meio de outros negócios.
Além do efeito imediato de conter a disseminação das peças, a decisão do TSE ilustra um endurecimento institucional frente à desinformação em ano eleitoral. Para responsabilizar quem compartilha acusações graves sem comprovação, a Corte usa instrumentos processuais que podem inibir manchetes virais, mas também alimentam debate sobre liberdade de expressão e critérios de intervenção judicial. A matéria segue ao plenário virtual para julgamento definitivo.