O Tribunal Superior Eleitoral retoma nesta terça-feira o julgamento sobre a decisão do ministro André Mendonça que determinou a remoção de publicações atribuindo ao senador Flávio Bolsonaro a proposta de uma escala de trabalho “7x0” sem dias de descanso. No plenário virtual, a maioria havia sinalizado pela derrubada da medida individual, o que permitiria a circulação dos conteúdos, mas o presidente do tribunal, Nunes Marques, pediu destaque e levou o caso ao plenário presencial.

O conflito chegou ao TSE em junho, quando o PL acionou a Corte contra postagens de parlamentares de esquerda que vinculavam Flávio à chamada escala. Mendonça acolheu o pedido e ordenou a retirada das publicações. A proposta que tem sido atribuída ao senador prevê remuneração calculada por horas trabalhadas — detalhe que alimentou tanto críticas quanto debate sobre representação e desinformação nas redes.

Além de decidir sobre a manutenção ou reversão da ordem de remoção, os ministros terão de confrontar uma questão institucional mais ampla: até que ponto a Justiça Eleitoral pode intervir em conteúdo político na pré-campanha sem invadir a fronteira com a liberdade de expressão? A tendência indicada no plenário virtual aponta para um recuo da censura judicial, mas a votação presencial expõe ministros a decisões com custo político e repercussão pública imediata.

Se prevalecer a maioria que já se formou virtualmente, as postagens voltarão ao debate público, aliviando a posição do PL e de Flávio Bolsonaro na disputa de narrativa. Se a ordem de Mendonça for mantida, haverá sinalização de maior tolerância institucional zero a conteúdos considerados potencialmente desinformativos. Em ambos os cenários, o julgamento funciona como retrato do momento: ele não encerra a controvérsia, mas redefine o alcance da fiscalização eleitoral e as estratégias de campanha para 2026.