O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nota afirmando que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao partido Missão não decorreu de falha no sistema eleitoral, mas sim do uso indevido da ferramenta por alguém que possuía as credenciais da legenda. A movimentação ocorreu em 12, quando ele também foi oficialmente desvinculado do PL, e deixou, por ora, o partido original impedido de registrar a candidatura do parlamentar à Presidência.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária. Paralelamente, o PL protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise da corte. A campanha de Flávio havia levantado a hipótese de ataque hacker, tese agora descartada pela análise técnica do tribunal.

Politicamente, a nota do TSE complica a narrativa pró-campanha ao reduzir a margem para alegar falha sistêmica — e amplia desgaste sobre o Missão, que precisa explicar o controle de suas credenciais. Com o prazo para registro de candidaturas se encerrando no sábado (15), a situação impõe pressão imediata sobre PL e Missão para resolver a disputa jurídica e documental em tempo hábil.

No plano institucional, o episódio expõe fragilidades operacionais das legendas no uso de ferramentas eletrônicas e tende a elevar a demanda por transparência e auditoria. A decisão do TSE e a investigação agora em curso serão determinantes para definir se o episódio terá efeitos práticos sobre o registro da candidatura e sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro seguir na corrida presidencial.