O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta segunda-feira, véspera do início oficial da campanha, o perfil do eleitorado para as eleições de 2026. O país soma 158,7 milhões de eleitores aptos — alta líquida de 1,46% em relação a 2022, ou 2,29 milhões a mais — informação que orienta a estratégia de candidaturas e partidos para os próximos meses.
A mudança mais contundente está na faixa de 16 a 18 anos: passou de 4.177.627 eleitores em 2022 para 3.571.159 em 2026, redução de 606.468 registros, ou 14,52%. Hoje esses jovens representam apenas 2,25% do total do eleitorado. O recuo acende alerta para campanhas que apostavam na mobilização juvenil como diferencial e exige ajuste de táticas de engajamento.
No polo oposto, os eleitores com 60 anos ou mais cresceram de 32,8 milhões para 37,4 milhões, avanço próximo de 14%, elevando sua participação de 21,02% para 23,60% do eleitorado. O envelhecimento relativo da base tende a deslocar o centro das prioridades de campanha para temas como saúde, seguridade e políticas voltadas a aposentados — com implicações para debates sobre gastos e prioridades fiscais.
O mapa regional também se transformou: o Norte registrou o maior aumento proporcional (+4,4%) e o Nordeste teve o maior ganho absoluto (+1,1 milhão), enquanto o Sudeste, apesar de continuar dominante (41,78% do total), perdeu 0,56% de representatividade. São Paulo segue líder em número de eleitores, mas com participação menor. Crescimento de 31,82% no eleitorado fora do país e a manutenção da maioria feminina (52,84%) completam o quadro. Para campanhas e governos, as mudanças não são neutras: redesenham públicos-alvo, prioridades e a logística de mobilização até outubro.