A duas semanas do primeiro turno marcado para 4 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou o envio de notificações oficiais aos eleitores por meio do aplicativo e‑Título. A medida visa levar, diretamente ao celular, informações sobre onde votar e serviços essenciais da Justiça Eleitoral, além de orientações para enfrentar boatos.

No aplicativo estão concentradas funções que substituem o título em papel e agilizam procedimentos: consulta de zona e seção, acompanhamento de pedidos pelo Título Net, emissão de certidões de filiação, justificativa de ausência via geolocalização ou posterior, pagamento de multas pelo PagTesouro, validação de documentos por QR Code e acesso ao Boletim na Mão. O app também gera códigos temporários e usa reconhecimento facial para autenticação em sistemas parceiros.

A estratégia reduz atritos operacionais e facilita o comparecimento, mas enfrenta limites práticos. O TSE recomenda instalar ou atualizar o e‑Título com antecedência e conferir dados pessoais — orientação que revela um risco: parcela do eleitorado pode ficar fora do alcance por falta de smartphone, conexão, ou por não ter biometria e foto vinculadas ao registro. Esse gap é relevante para a administração eleitoral e para a avaliação do próprio impacto da campanha de notificações.

O envio seguirá durante todo o período eleitoral, inclusive entre os turnos. Na ponta, a iniciativa tende a melhorar o fluxo de eleitores e a combater desinformação; institucionalmente, porém, expõe a necessidade de meios alternativos e de comunicação complementar para não transferir à tecnologia a responsabilidade por falhas de participação e informação.