O Tribunal Superior Eleitoral determinou que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o senador eleito Carlos Bolsonaro e o empresário Pablo Marçal retirem do ar uma publicação que associava participantes de um ato pró‑Lula ao consumo de drogas. A ação foi apresentada pela Coligação Brasil Pronto pra Mais, que afirmou que a imagem — de uma mulher de cabelos vermelhos — teria sido registrada no Chile e, portanto, não fazia parte da Marcha pela Democracia realizada na Avenida Paulista.

No despacho, o relator Marco Aurélio Bellizze censurou a montagem e a apresentação fora de contexto como forma de manipulação. Segundo o magistrado, misturar cenas verdadeiras com imagens deslocadas temporal ou geograficamente tem potencial para induzir o público a erro e degradar a qualidade do debate eleitoral. A decisão reforça a vigilância do TSE sobre conteúdo digital que possa influenciar a campanha por meio de desinformação.

Além de ordenar a exclusão das publicações, a corte determinou que a Meta torne indisponível post específico do perfil @sociedadeemfatos caso o responsável não o remova, e que forneça dados cadastrais necessários à identificação. As plataformas Meta e X terão de cumprir a medida em relação aos endereços apontados no processo. O episódio se soma a outras decisões recentes do TSE que exigiram a exclusão de postagens de diferentes lados do espectro político, num esforço institucional de conter narrativas falsas.

Do ponto de vista político, a medida aumenta a pressão sobre Flávio Bolsonaro e seus aliados ao evidenciar o risco reputacional e jurídico associado à circulação de conteúdos manipulados. Operações desse tipo tendem a atrair maior escrutínio da Justiça Eleitoral e das próprias plataformas, complicando a estratégia de campanha que se baseie em ataques rápidos nas redes. Ao mesmo tempo, a atuação do TSE sinaliza que o tribunal pretende delimitar o espaço de disputa digital nas semanas que antecedem a votação, com impacto direto nas táticas de comunicação dos atores políticos.