O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a plataforma Shopee e o Facebook identifiquem, em até 48 horas, perfis e responsáveis por lojas e páginas que teriam sido usados para divulgar propaganda eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro. A decisão foi tomada nesta terça-feira (22/9) pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral em exercício, que acolheu pedido da Coligação Brasil Pronto pra Mais contra Flávio, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto e Mario Frias.

No caso da Shopee, a ordem atinge especificamente a loja indicada como Bella Chic Store, que deve informar CNPJ, CPF e endereço; para o Facebook, Cueva determinou a preservação dos registros e dos dados dos administradores das contas citadas. A corregedoria justificou a medida pela necessidade de evitar perda de elementos essenciais à apuração, observando que algumas páginas relacionadas chegaram a ficar indisponíveis. Foi fixada multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento. O corregedor também mandou apurar publicações colaborativas no Instagram vinculadas ao mesmo contexto.

A determinação é uma etapa processual que mantém a investigação ativa: as lojas e administradores têm cinco dias para apresentar defesa, e os autos serão encaminhados à Procuradoria-Geral Eleitoral após esse prazo. O ministro ressaltou, porém, que não há, neste momento, elementos suficientes para afirmar ligação direta entre as lojas e a campanha, razão pela qual a comercialização de produtos nas plataformas permanece permitida por enquanto.

Politicamente, a ação do TSE acende alerta e amplia desgaste sobre a campanha e seus aliados ao colocar fornecedores e perfis digitais sob escrutínio formal. A exigência de preservação de dados e a possibilidade de multas reforçam pressão sobre plataformas e operadores, além de complicar a narrativa oficial caso as apurações avancem. Ainda é uma fase preliminar: o que a decisão entrega é documentação e tempo para que a investigação — e a Procuradoria — avaliem se haverá responsabilizações.