O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve nesta terça-feira (2/6), por unanimidade, a inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) até 2030. A Corte rejeitou também, por 5 votos a 2, o recurso do Ministério Público Eleitoral que pedia o reconhecimento da cassação do diploma político. O relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, teve voto acompanhado por André Mendonça, Antonio Carlos Ferreira, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques; o colegiado ainda negou embargos apresentados por Rodrigo Bacellar.
Castro recorre desde março da decisão que o tornou inelegível por condenação por abuso de poder político e econômico relacionada a um esquema de "cargos secretos". A manutenção da inelegibilidade mantém o impedimento formal para disputar cargos, mas o TSE não acolheu o pedido do MPE para cassar o diploma — um desfecho que preserva nuances jurídicas importantes no caso.
A Corte transferiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a tarefa de retomar o julgamento que definirá o modelo de escolha do eventual sucessor: eleição direta ou indireta pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A remessa ao STF acende alerta político: quem controla o calendário e o formato da sucessão terá vantagem estratégica, e a indefinição amplia pressão sobre lideranças estaduais e a base do governo.
No plano político, a decisão cria um ambiente de incerteza para o Rio. A suspensão da definição sobre o mecanismo de sucessão deixa atores locais e nacionais em compasso de espera, obrigando partidos e bancadas a recalibrar estratégias. Mais do que uma resolução jurídica, o caso mostra o entrelaçamento entre decisões judiciais e custo político em um cenário que já vinha sensível.